quarta-feira, 1 de junho de 2011


Tanto tenho faltado a meu blog, que me sinto  um pouco envergonhado de aparecer assim meio que timidamente (apesar de belissimamente acompanhado da Hilda), que me sinto obrigado a me justificar. Nem sempre somos aquilo que acreditamos ser, nem sempre dizemos aquilo que realmente acreditamos e infelizmente por mais que nos esforcemos, as rédeas de nossa vida, em alguns momentos parecem nos desobedecer e os cavalos insanos que nos guiam ditam o caminho. Não sei se inspiração seria a palavra certa, mas acho que o que me move é a vontade, que no momento se converte em "falta de". Meus armários  internos estão em desordem e não me sinto com vontade de tentar arrumá-los neste momento, tenho vontade sim, de sentar no chão, admirar a desordem e só. A arrumação será feita, mas não agora, no momento admirar a bagunça se faz mais urgente (e mais importante). Quando estamos nos sentindo perdidos, arrumar esta desordem se faz urgente porque não queremos passar por esta angustia existencial e arrumamos nossas gavetas dobrando outra vez aquelas peças que já não nos servem mais, e misturando as estações, colocamos as roupas de inverno junto com as de verão e por ai afora. Por isso agora é hora de admirar tudo, olhar esta bagunça com carinho, complascência e cuidado pra não cometer o erro de manter em nossas gavetas aquilo que não nos serve mais, aquilo que não queremos mais ou mesmo aquela peça que gostamos muito e não sabemos ao certo o porquê, a peça não é bonita, não nos cai bem, mas mesmo assim por um capricho tolo, insistimos em continuar com ela, e por fim, aquela peça que muito amamos e nunca usamos, pois, ela não tem a nossa numeração e fica muito melhor em outra pessoa. Arrumar os nossos armários é importante sim, mas, não mais que admirarmos a bagunça que fizemos nele.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O saber Amor


Pinta-se o Amor sempre menino, porque ainda que passe dos sete anos, nunca chega à idade de uso de razão. Usar de razão, e amar, são duas coisas que não se juntam. A alma de um menino, que vem a ser? Uma vontade com afectos, e um entendimento sem uso. Tal é o amor vulgar. Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma; porém o primeiro rendido é o entendimento. Ninguém teve a vontade febricitante, que não tivesse o entendimento frenético. O amor deixará de variar, se for firme, mas não deixará de tresvariar, se é amor. Nunca o fogo abrasou a vontade, que o fumo não cegasse o entendimento. Nunca houve enfermidade no coração, que não houvesse fraqueza no juízo. Por isso os mesmos Pintores do Amor lhe vendaram os olhos. E como o primeiro efeito, ou a última disposição do amor, é cegar o entendimento, daqui vem, que isto que vulgarmente se chama amor, tem mais partes de ignorância: e quantas partes tem de ignorância, tantas lhe faltam de amor. Quem ama, porque conhece, é amante; quem ama, porque ignora, é néscio. Assim como a ignorância na ofensa diminui o delito, assim no amor diminui o merecimento. Quem, ignorando, ofendeu, em rigor não é delinquente; quem, ignorando, amou, em rigor não é amante.Padre Antonio Vieira in “Sermões”

quarta-feira, 23 de março de 2011

Amar

    Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond Andrade

quinta-feira, 3 de março de 2011

Reciclagem

Reciclo a minha dor de outrora
Ponho a dor no papel
Macero
Molho com lagrimas novas
Misturo
Liquidifico
Aperto a mistura ao peito
E meio que em oração deixo ela crescer.
Retiro ela de dentro ainda quente e úmida
Depois de pronta
Escrevo a minha dor  no papel
E sirvo assim tudo de uma vez pra não esfriar
E pra minha surpresa
Não ficou com gosto de nova.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A arte de ser feliz

 Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecilia Meireles

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mahatma Ghandi

Senhor,
Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.
Se me das fortuna, não me tires a razão.
Se me das o sucesso, não me tires a humildade.
Se me das humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda, não me deixes acusar o outro por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim.
Ensina-me a amar aos outros como a mim mesmo.
Não deixes que me torne orgulhoso se triunfo, nem cair em desespero se fracasso.
Mas recorda-me que o fracasso é a experiência que precede ao triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza e que a vingança é um sinal de baixeza.
Se não me deres o êxito, da-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender ás pessoas, da-me coragem para desculpar-me e se as pessoas me ofenderem, da- me grandeza para perdoa-las.
Senhor, se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim.
Mahatma Ghandi

Este texto me foi enviado por um amigo querido (Rafa), que ao ler blog e se identificar com alguns posts, se prontificou a me enviar esta maravilha escrita pelo Gandhi. Fiquei então com o encargo de enfeitar o post com algo que o merecesse. Obrigado a todos que aqui se enxergam e querem colaborar.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Não estou afim de pensar sobre nada, estou vivendo meu luto. Entendo isso como encarar de frente a dor. Minha tristeza tem raízes profundas e isso não quer dizer que eu seja seja uma pessoa amarga ou triste, só não fujo do que sinto, respeito minha dor. Não me acho uma pessoa corajosa, muito pelo contrário me sinto frágil e as vezes amedrontado, apesar de acharem exatamente o contrário. Prefiro viver minhas dores e perdas de uma vez do que adiá-las, assim, o sofrimento se vai mais rápido e somente sofro pelo acontecido e não também pela expectativa do mesmo. Prefiro a morte rápida. Talvez venha daí minha impaciência com as pessoas que mascaram o que sentem e não dizem o que pensam ou querem. Quero a simplicidade das coisas dos gestos. No fundo nada realmente importa.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pai "nosso"

Uma Oração(Jorge Luís Borges)

Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados. Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Presente

E o movimento começa a se espalhar. Numa conversa no facebook com uma das pessoas que mais amo nesse mundo inteiro, meu AMIGO Claudinho, dei um ultimato. -Você precisa escrever alguma poesia pra eu colocar no meu Blog. No Inicio ele achou graça e disse que iria tentar, ao que respondi que não era pra tentar era pra fazer (autoritario eu? imagina rsrsrsr)ele me disse pra esperar um pouquinho que ja voltava, e voltou com este poema lindo que escreveu na hora, em homenagem ao meu blog. Emoção é pouco. Como posso não ser feliz se tenho ao meu lado pessoas desse nível? Então meu amado irmão, como prometido segue acima desse depoimento sua poesia emoldurada pelo meu sentimento.

E agora?

Pronto, blog aberto (ou reaberto) e vem a dúvida: o que escrever, o que postar, qual o formato, qual minha intenção? Ao abrir o meu primeiro blog, acho que minha intenção era brincar com as imagens mescladas a poemas e falar sobre o que eu queria e achava de tudo (bem diário intimo mesmo kkkk), este ainda naum sei, prefiro que ele vá se revelando com o tempo, enquanto isso vou fazendo uma das coisas que gosto tanto que é criar imagens... o resto a gente vai descobrindo juntos neste constante movimento. Me lembrei do "QUEM SOU EU"  da pagina do blog que pede que você se identifique e se descreva, coisa que detesto e abomino, pois passa a ideia de voce ter de se limitar a algumas poucas linhas sobre: quem é, o que gosta e o que faz; se ainda fosse rotativo e pudessemos mudar a todo minuto esta descrição rrssrsrs, Não gosto da coisa estática, inerte, gosto da evoluçao, do movimento, da novidade; prefiro assim, deixo pra outras pessoas fazerem isso, mudo de opinião como mudo de roupa ( e faço isso muito rsrsrs) visto meus humores, sou a cada dia um, sendo único e sempre eu mesmo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um novo recomeço

E aqui vou eu outra vez rsrsrs,
Meu antigo blog bagagem não me pertence mais, pertence a uol. Não tenho mais o domínio de minha conta depois de vários anos em desuso. Meu antigo blog pertence agora a todos e nesse pertencer ninguém o tem. Quase uma história de amor. Minha historia de amor com meus pensamentos e emoções, meus humores as vezes quase raivosos outras cheios de ternura, tesão e milhões de sentimentos que me habitam e que carrego comigo, orgulhoso dessa maravilhosa bagagem em constante expansão.